Palavras para Nada
Iluminismo, o Teorema de Pitágoras, a política agressiva da Venezuela, a indecisão de Serra, e traduções simultâneas para ninguém botar defeito. Globalização em seu estado máximo exige dos “globalizantes” saber do nada ao tudo, mas ainda assim nada é sabido.
E se Sócrates estivesse errado? E se todo o seu “conhecimento”, ou como o próprio afirmou a falta do mesmo, estivesse de fato equivocado? Linguagens e códigos, conhecimentos matemáticos, textos dissertativos e apreensão a cada janeiro são parte da vida dos jovens. E principalmente estes estão em ritmo frenético contra si próprio. A ânsia de se lançar ao infinito da compreensão total está, para todos os efeitos, se tornando a própria infinidade.
Logo após de cursar uma quinzena de anos em escolas primárias e mais outros em faculdades, o próprio conhecimento tem se tornado facultativo. Como é mesmo a história da Independência brasileira? Quem é este cara que tem o nome da minha rua? Guerra do Vietnã?E a ironia de tanto se jogar em livros acabou por jogá-los fora. É necessitado aprender mais e mais, desde informações cotidianas a curiosidades fúteis, afim de que a atualização cultural esteja em dia com o seu tempo. Somos escravos dos outros. A história já não é mais nossa.
Imagine alguns séculos adiante, o que vai restar da inteligência? O verdadeiro pensar se tornará apenas informação. O dom humano de analisar criticamente e procurar respostar terá sido finalmente substituído por googadas.com a fim de sanar tudo que se precisa. Amanhã a carga informacional atingirá níveis impensáveis, mas cada vez mais distantes de nós.
Já não é o brasileiro, o americano ou o jamaicano, tampouco o chinês. A tal da globalização atacou todo mundo. E nem percebemos. Alguns clamam para a solução desse fluxo eterno. Utopia de um mundo romântico que se importa com as coisas verdadeiras? Sim. Mas já vivemos nele há tempos. A TV com (falsa) emoção a cada volta de intervalo, os filmes de amores eternos entre juvenis e livros best-reviews a solta. O mundo está pronto para si mesmo evoluir. Mas falta o primeiro passo. O ensaio da peça já foi feito até a exaustão, o primeiro Ato ainda não começou e assim dificilmente será seguido de aplausos. Saber ou não saber, eis a questão?
Em um mundo cada vez mais complexo e interligado, onde palavras e idéias são dinheiro, nesse mar de falsa sabedoria, vendo este humilde texto de palavras baratas.
->Tibério Barbosa.
26/03/10
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ResponderExcluirAlgo que eu sempre me questionei perante aulas de historia (na escola, na TV, "no mundo a fora")...
ResponderExcluirVocê se pergunta sobre algo, e lá está a resposta num livro, e vc toma aquilo como sendo a verdade, não para pra se questionar do "por que?" seria aquilo, como realmente teria sido aquilo. Se toma o qu está escrito nos livros como verdade absoluta, sem um questionamento mais a fundo. Hoje em dia é pior, "googadas" da vida, quer se saber de algo, se vai lá e se faz uma pesquisa rapidamente, se lê algumas paginas, ou até mesmo linhas, e acabou, se tem o tal do conhecimento, que muitos nos velhos tempos se matavam, de pensar e questionar o mundo para obter. Ficou tudo muito facil, mas seria mesmo isso "conhecimento" ou basicamente informação.
O conhecimento de muitos se baseia pelo que outros escreveram, dificilmente alguém vai atrás de obter os seu próprio conhecimento. É preciso questionar, refletir. Tudo teria realmente acontecido como está escrito?